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Ponte do Janga

Por sexta-feira, outubro 20, 2017

Meus olhos fechados são do mar.
Enredei-me na natureza humana
que não sabe desamar a brisa.
Sou ponte, 
forma sinuosa e inflexível
ante o mundo descrente.
Contemplo miragens
como quem mira o distante.
Sigo de um lado a outro
como a flor que encontra no infinito
o sol, nos braços de Iemanjá.

Da calçada

Por segunda-feira, junho 19, 2017





Um passadista qualquer
ler o jornal de amanhã.
o guardanapo sobre o fogão
anuncia: "domingo, alegrai-vos"

O céu, invisível de chuva,
a antiga casa em ruína,
o rio vestido de rua.

Há labirinto no asfalto.
Ali, cratera, o piche se despe
no mormaço da lama.

Desde lá do alto,
a mão, uma xícara de café;
é possível mirar da janela
pontes que não se veem.