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Opinião: Desempenho intelectual por si só não garante nada.


Aspectos emocionais e da personalidade contam na área profissional. Por isso, estudante não deve se autocobrar em excesso.

Dia desses, um internauta indagou qual seria a melhor maneira de alavancar seu aprendizado. Isso porque, apesar de ter notas regulares e altas, não conseguia estar entre os melhores da classe e sentia não ter boa memória. Questionava se um profissional da área da aprendizagem o ajudaria. Há poucos elementos para dizer qual seria a melhor maneira para ele melhorar seu aprendizado. Um profissional que trabalha com aprendizagem provavelmente ajudaria. Não sei se seria para tanto, visto que seu desempenho era bom. Fator que também leva a crer que não tenha grandes problemas de memória. Porém, suas dúvidas permitem pensar sobre aqueles que são exigentes consigo próprios e nem sempre estão satisfeitos com sua performance, mesmo ela sendo boa. Algumas pessoas são assim. Por mais que a realidade mostre que elas têm qualidade e aprendem sem problemas, não se satisfazem com suas notas. Ficam se comparando com os “melhores” da classe.

Em primeiro lugar, temos que lembrar que cada um tem um jeito, inclusive para aprender. A nota é um índice de nosso aproveitamento, mas não é absoluta. Ela não é garantia de que o desempenho como profissional no futuro, por exemplo, será bom. Principalmente se lembrarmos que o fator intelectual por si só não garante nada. Aspectos emocionais e da personalidade também contam muito.

Quando a família é exigente
E o que poderia levar uma pessoa a ser tão exigente? Vários fatores. Mas um deles pode vir de casa: a própria exigência de alguns pais. Não que os pais não tenham de ser exigentes. Devem sim, mas dentro da medida do razoável. Algumas pessoas precisam ser mais exigidas, outras menos. Acontece que, em algumas famílias, além da alta exigência, falta o reconhecimento daquilo que é conseguido. Nesses casos, quando vem uma nota boa, parece que a criança não fez mais que a obrigação. Mas quando vem uma nota ruim, aí a casa cai. Com raras exceções, uma criança geralmente tem seus altos e baixos. Quando a nota não é boa, ninguém precisa passar a mão na cabeça. Para o pai que acompanha a escolaridade de seu filho de perto, fica fácil saber o que está acontecendo – inclusive se o pequeno deixou de estudar. E aí poderá ajudá-lo. Se for o caso, deve até chamar a atenção para o fato de não ter estudado. Porém, diante do bom desempenho, é necessário que o estudante seja reconhecido no seu valor. Só assim, ele próprio poderá reconhecer suas qualidades e não desanimar no processo de aprender. Do contrário, ele se frustrará. Confiando em sua capacidade de realização, a pessoa poderá se arriscar mais nos caminhos do conhecimento. No caso do internauta, ele parece ter o ideal de ser um dos melhores. Isso pode gerar a idéia de ter uma falha no seu aprender, já que não está entre os primeiros. Em casos assim, a pessoa poderia se dedicar a aprender coisas que ainda não sabe, caso se preocupasse menos em ser o melhor da classe. Provavelmente, ele não consegue perceber que tem qualidades. O reconhecimento das características positivas de uma pessoa ajuda a elevar sua autoestima, possibilitando que seja alguém mais confiante. É algo simples de pais e professores fazerem. E, com certeza, ajudará muitos estudantes a serem mais seguros e felizes na escola e na vida.

(Ana Cássia Maturano é psicóloga e psicopedagoga)

Coluna exibida pelo portal G1 (http://g1.globo.com)

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