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Um espaço para os BBB's ... Vamos pensá-los ...e nos repensarmos !


Século I a.C Caio Otávio - imperador da Roma Antiga. Suponho que o "Augustus" ficaria feliz se fosse privilegiado com o poder da IMORTALIDADE, isto porque, vivo teria a oportunidade de presenciar na plenitude do século XXI ("a era da grande evolução humana") a perpetuação da celebre política de alienação implementada durante o seu governo. Aos anúncios do soar dos trompetes: Pamm ppammm ppammmmm ... PANIS ET CIRCENSIS, eis que surge para delírio da platéia elite manipulante e da platéia plebe manipulada.

"Panis et circensis", como era alcunhada pelos minoritários questionadores da manipulação das massas, saciada à pão e diversão e, simultaneamente sugadas de direitos e reflexões intelectuais foi e continua sendo a melhor atitude encontrada pela elite para esvaziar as discussões prioritárias na extinção dos desfrutes assegurados aos ricos e, obviamente rechaçados aos pobres (de fato). Imaginem senão o imperador Júlio César, que ao invés dos incomodos camarotes das Arenas, alimentando-se de bichos mal cozidos, acompanhado ainda por pessoas de hábitos anti-higiênicos, pudesse ser transportado pela "máquina do tempo" rumo à comodidade de um lar contemporâneo. Ao passo de habituar-se à, em sua residência agora high-tech, de frente à uma TV de visor plasma (42 polegadas) assistir diariamente ao Big Brother Brasil, em seu quarto refrigerado, em um dormitório confortável... Vos digo com convicção: Sei que estaria a ser combatido por extasiantes ataques de risos, motivados pela efetuação de seus trasparentes desejos, o de manipular as massas insatisfeitas e invisíveis, relevantes tão somente quando dos períodos de guerra, hoje de eleição.

Baseada numa cultura dita de massa, mas de execução inteiramente aristocrática, vê-se através do reality show dos BBB's, um espetáculo repleto de personagens capazes em expressar as motivações que despertam o furor na classe alienada. Troca de farpas pessoais, vulgaridades, mentira, fraquezas sentimentais, desvios de comportamento, inversão de princípios éticos e morais são só alguns dos ingredientes essenciais nesta receita da "tragédia do nada", cujo fermento não é mais o sangue, mas a ganância pelo prêmio de R$ 1.000.000 de reais. "Paredão", 'Prova do Líder", "Prova do Anjo", "Prova da Comida" e demais ginganas do superfluo são só poucos dos verbetes comentados rotineiramente nas casas, ruas, transportes, espaços acadêmicos, ambientes virtuais e tantos outros lugares com o espantoso e intímo alarde com que se relata cada episódio como se discorresse sobre os capítulos do livro "best seller" do ano.

Exprimir um conjuntos de elementos enraizados na motivação das massas, da qual sou integrante exceção não é uma tarefa de fácil argumentação. Contra mim pesa nos ombros a história de responsabilidade em relatar a trajetória de inconsciência sócio-intelectual da humanidade, filha das "algemas da casta". Luto não contra aproximadamente meros 20.000.000 de telespectadores do programa de maior audiência na televisão brasileira dos últimos 40 anos, mas a favor de uma mobilização unânime a fim de que o advento de EVOLUÇÃO da televisão não se converta, como aparentemente se encaminha em uma Nova Arena; com uma única distinção ... primordial por sinal, desta vez não somos escravos como na Idade Média e nem diretamente estamos sendo jogados nos espaços de genocídio em massa, muito pelo contrário. Parece-me "a olho " que desta vez estamos nos colocando como escravos da inércia do nadismo e assim, nos jogando na boca feroz dos impiedosos abutres do eminente Império Brasileiro da INUTILIDADE.

2 comentários:

Vanessa Gomes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vanessa Gomes disse...

Adooorei seu texto...
Concordo plenamente com o termo: "Império Brasileiro da INUTILIDADE."

Expessa claramente o que o "BBB" significa para a nossa sociedade!

Excelente texto!
Vanessa Gomes