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Poema: "A cena".


Nesta odisséia do “novo” século...
Manhã de segunda-feira,
Cronologicamente 06h39min
Canta o celular com uma daquelas melodias
( ...que deixa enraivecido o compositor que a concebeu,
quando obrigado a escutá-la em seu despertar ).

Pois então...
Cercado por essa parafernália,
A da servidão à tecnologia...
Inclino-me a meus cacoetes de salubridade,
Vislumbro o odor da realidade.
A confirmação do quão fomos
e ainda “civilizadamente” somos
Dominados pelo que,
enquanto homens
inventariamos como poder.

Vencemos o fogo.
Mas dele fizemos instrumento de aniquilação de desafetos.
É só lembrarmos das fogueiras da inquisição.

Ah...
À contento... Permita-me este parênteses sem parênteses,
Desculpe-me se os ofendo com as minhas insanas verbalizações
...sigo ainda assim.

Fizemos o homem ter asas.
E, no entanto
Voamos rumo ao holocausto nazista.

Transformamos o rádio, a TV, e a internet,
meros utensílios de entretenimento
em órgãos vitais para o homem.
A que fim?
Indaga o meu inconsciente...
Que em prontidão mas amiúde,
responde : “Esquecemos de viver”.

Sensações em que um sorriso tem o cheiro inebriante da terra molhada.
Ou do beijo com o agrado suave de camomila.
Cadê?

A brisa que carrega no espelho do mar as certezas que procuro.
A sonata das árvores surrupiando a timidez da luz por entre
As folhas verdes de gracejo dourado.
Onde estão?

A vida tem desse intimismo multicolor e enigmático.
Ainda que tenhamos subvertido estes encantos em supérfluos
e vice-versa,
Acho que não perdemos essas vicissitudes das vibrações humanas.


As 6h39min em sua finitude de tempo,
Converti sem delimitações,
Nesta sonífera prosódia
A infinitude da cena do branco vespertino no abraço matinal.

No riscar de meus olhos,
E com o atrapalho de borbulhantes pensamentos,
Perpassei o drama sem qualquer preocupação com a forma.
“Por entrelinhas”,
Hão de afirmar.

Neste breve poema,
A cena;
Finalizada até por os meus pés no chão
E caminhar até a sala.