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Repercutindo o fato: O mote "Prata-da-casa tem valor" é verídico no Brasil?



     Como sempre alertei, o futebol além de nos proporcionar emoções até certo modo inexplicáveis, é também um fino instrumento que nos possibilita pensar sobre a realidade. No sábado passado (05/06), após partida realizada entre América/RN e Sport/PE na capital potiguar, a jovem cria do rubro-negro pernambucano, o atacante Ciro, de 20 anos declarou a imprensa local a sua frustração quanto a não-valorização do profissional apelidado de “prata-da-casa” ao passo da supervalorização de profissionais de mercados ditos externos, ou seja, os popularmente chamados de “forasteiros”.

     Sem xenofobia, o atleta revigorou um mote que ganha ecos não só no futebol, mas em todas as esferas de trabalho. Tendo em vista que, por mais que reconheçamos as realidades locais e, por conseguinte os abismos econômicos evidenciados no continente Brasil, é inegável como o “sotaque estrangeiro, ainda que todos brasileiros” tenha a mais valia apenas pelo fato de “ser de fora” , seja em relação a determinado Estado ou, em função de pertencer a uma região de maior poder aquisitivo, a exemplo do eixo sul-sudeste.

     Médicos, professores, arquitetos, jornalistas, atores ou jogadores de futebol; juntos, desigualados em suas respectivas remunerações em relação a situado trabalhador que exerce as MESMAS atividades a que lhes são atribuídas. Surpreendente? No mundo globalizado? Não, esse é o discurso da moda. No entanto, a situação configura-se no mínimo como controversa, visto que setores da mídia e inúmeros profissionais defendem esta injusta hierarquia de trabalho, ignorando os piquetes da Revolução Industrial, pelos quais a classe operária lutou por melhores e justos salários e, teoricamente os conquistou.

     Quem diria, para os intelectualoídes de plantão, os tais bossais da moralidade que afirmam a respeito dos jogadores, ou melhor, sobre o futebol em si, prestar-se apenas ao divertimento e a alienação de uma massa, logo, sem cultura. Nada mais atual do que a frase-resposta do religioso Dom Helder Câmara para desempate deste placar negativo, em prol da democracia social: “Quem disse que o povo não pensa, o povo pensa”, e vou além, se me permitem a audácia: “ O povo pensa jogando bola ou advogando, porque no cérebro, não me recordo a cor de sua moeda ou, principalmente, o tom nordestinês de sua fala”.

Um comentário:

Gêh disse...

Falou e disse Thiago! Como se não bastasse o não investimento no que é nosso, o que temos não é valorizado!
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