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Um Pará dividido.


          Em meio a uma possível divisão administrativa do Estado do Pará a ser votada através de plebiscito que poderá confirmar a criação dos Estados do Tapájos e do Carajás (conforme o VemA antecipou de primeira mão em 04/01/2010 - Leia+) , agora a terra do carimbó passa por outro possível "racha", o musical.
          Antes de mais nada, preciso (ou não) antecipar  aos amigos leitores o  que talvez todos saibam. Por razões afetivo-pessoais daquele que vos escreve (o blogueiro VemA namora uma paraense), nos últimos 3 anos o eixo-norte tem sido notícia nas páginas verdes do Verdade em Atitude, o que venhamos e convenhamos não é muito comum, mas explico. Por curiosidade de saber o que se passa na terra de sua amada, acabo por acompanhar com frequência os informes locais, sobretudo os esportivos (Paysandú, Remo e Tuna Luso).  Mas como me referi no páragrafo inicial, o que me chama atenção neste momento é um post do colunista Helder Bentes, da Liberal, afiliada da Globo sobre a cultura músical do povo paraense.
         Há tempos já ouço de minha companheira e de alguns poucos amigos paraenses que preservo a questão do Tecnomelody como uma "enxurrada melódica de mediocridade"; no entanto ressalto que esses a quem me refiro se constituem em "minoria". Embora não tentando me meter nas questões culturais e fonográficas de Estado alheio, e já me metendo, compartilho o texto "O paraensismo desinformado que vetou o tecnomelody", do crítico de arte e professor universitário, graduado em Letras e especialista em Literatura, Helder Bentes. 
          Ainda que o texto não reflita necessáriamente as opiniões do VemA e, por tabela, não obrigue o que vos transcreve a concordar plenamente com o que foi dito, vale a pena a discussão e o pleno conhecimento de nossa tão rica identidade nacional brasileira, assim penso de forma humilde. Pois bem, não me deixem só, quero opiniões.  

Texto Original: "O paraensismo desinformado que vetou o tecnomelody".

          "Reproduzo aqui, para efeito de esclarecimento, a mensagem do governador Simão Jatene, publicada no diário oficial do dia 15 de abril, em que ele explica por que vetou o projeto de lei que visava transformar o tecnomelody em patrimônio artístico e cultural do Estado.
          Em minha opinião, o governador ainda foi generoso ao se referir ao tecnobrega como 'ritmo musical' que repercute 'artisticamente'.
          Aos paraensistas amantes cegos desta musicalidade desprovida de critérios artísticos, deve ficar claro que nosso governador não nega que este ritmo nasceu e acontece aqui (quem poderia negar isso diante do barulho ensurdecedor das aparelhagens?).
          Aos antropólogos que desconhecem as zonas limítrofes entre cultura e arte, deve ficar claro que ele reconhece a coisa como um 'bem cultural' do Estado.
          O problema é que os excelentíssimos senhores deputados, que nós elegemos para nossa assembleia legislativa, no afã de agradar os paraensistas, para garantir sua permanência no poder legislativo, esqueceram-se de consultar a Constituição Estadual, a Constituição Federal e outras leis que poderiam vetar o projeto. Faltou assessoria jurídica! Foi isso.
          Mas paraensistas são diferentes de paraense. Ficam logo ressentidos e se danam a falar mal das autoridades, classificando-as como 'elitistas', 'preconceituosas', 'discriminatórias', 'etnocêntricas', 'ridículas', etc... etc... etc...
          Observem que, no teor da mensagem do governador que agora subiu no meu conceito, ele se refere à impossibilidade de se legitimar como patrimônio cultural e artístico do Estado algo construído sobre a dimensão meramente instrumental do conhecimento.
          Claro que seus argumentos baseiam-se nas leis que nossos deputados e os paraensistas desconhecem, mas ao afirmar que a tecnologia das aparelhagens de som não tem nenhuma inovação técnica que já não esteja ao alcance da produção industrial comum, e ao se referir às marcas dessas aparelhagens como de expressão e propaganda mercantil das pessoas que as exploram comercialmente, nosso sábio governador demonstra entender muito mais de cultura e arte do que esses deputados e seus eleitores.
          Quanto aos pretensos teóricos da cultura paraense que se opuseram à minha opinião no fórum deste blog, no post 'Tá beba??? Tá doida??? Patrimônio artístico e cultural??? Só se for da...', em vez de se gabarem de conhecer este ou aquele autor que disse que cultura é isto ou aquilo, deveriam produzir conhecimento original, em vez de ficarem se servindo de um conhecimento pré-produzido, para justificar opiniões, na verdade, baseadas no senso comum e num paraensismo desinformado.
          A falta de originalidade não é fato somente no campo das artes, mas também da produção intelectual. Quero ver agora que argumentos vão usar para criticar o veto a esse projeto absolutamente desnecessário, mediante as urgências da sociedade paraense.
          Se estamos colocando no poder legislativo deste Estado pessoas que sequer conhecem as leis do Estado e da União; se queremos legitimar como patrimônio cultural e artístico do nosso Estado algo que sequer se difere dos recursos instrumentais e industriais que o produzem; se os discípulos do conceito antropológico de cultura não têm distanciamento crítico, para distinguir o cultural do comercial, tem alguma coisa errada na educação deste povo.
          Sugiro aos paraensistas entusiastas do mau gosto que, em vez de fazerem protestos com faixas e cartazes mal escritos, em vez de fecharem a rua (o povo adora apelar pra esse tipo de protesto que só atinge quem não tem nada a ver com o problema), estudem as leis, para elaborar um documento tão bem escrito quanto a mensagem de nosso governador.
          Que tal se os 'antropólogos' que ficaram entupindo minha caixa de e-mails com esculhambações cheias de erros de português se unissem agora, para ajudar o movimento do tecnomelody, com seus argumentos culturais, a fim de sancionar esta lei que mudará nosso padrão de vida para melhor e resolverá todos os problemas sociais do Pará?"

Clique AQUI e leia a palavra do governador do Pará - Simão Jatene sobre o assunto.

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