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Artigo de opinião: Com a "vassoura"

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Apresentada ao cidadão brasileiro como estadista rígida e determinada, Dilma Russeff está "decepcionando" a parcela deturpada da política nacional pelo não à corrupção.


          De tom ameno, equilibrado e altivo, a presidenta Dilma está somente agora tomando as rédeas no ato de governar um país carente de bons exemplos na gestão pública. Eleita à luz de influência do lulismo, a primeira mulher presidente do Brasil tem mantido o pulso firme que a popularizou no governo Lula como "ministra linha-dura". Contando ainda com resquícios de governabilidade ministerial e dos "acordões" de seu antecessor, é a partir deste instante que Dilma tem a possibilidade de escolher seu próprio ministério e com isso, escolher a cara de sua administração, afastando e apurando o que de errado houver, "doa a quem doer", como ela tem se referido desde a campanha que a conduziu ao Palácio do Planalto.
          Propensa a desfazer a filiação partidária como handicap prioritário para o exercício de ministro/a, o governo Dilma tem enfrentado contradições éticas e morais fruto das exdrúxulas alianças eleitorais perpetuadas no Brasil desde o governo FHC. Em face das denúncias na Casa Cívil, Antônio Palocci - petista (que já havia deixado o governo Lula investigado pelas autoridades judiciais) caiu pela segunda vez. Nelson Jobim - peemedebista, ministro da Justiça no governo FHC, e da Defesa nos Governos Lula e Dilma foi posto para fora da Esplanada dos Ministérios ao admitir ter votado nas eleições presidenciais de 2010 no candidado oposicionista José Serra. Foram afastados ainda por suspeita de atos ilegais no exercício de suas funções os então ministros dos Trasportes e da Agricultura, respectivamente Alfredo Nascimento (PR) e Wagner Rossi (PMDB).
          Em meio a desgatante cena de denúncias de corrupção, o que levaria a presidenta a conquistar a opinião pública, a oposição e os seus não-eleitores frente aos embróglios em que o governo se vê envolvido? A resposta é taxativa e simples, ela não tem medo de ser presidente. Assumindo o peso de instaurar em sua gestão um marco contra o legado das falcatruas, Dilma tem "cortado na própria carne", defendendo a investigação e a punição dos infratores, distinguindo-se de antemão do retrográdo discurso do "não vi, não sabia" anteriormente deflaglado com assustadora naturalidade. Mais do que uma ação de coragem, visto que tais medidas têm gerado certo contrangimento na base aliada que dá sustentação a sua gestão, Dilma está construindo a identidade de presidente que quer ter e, talvez, forçando seus possíveis sucessores a avançarem neste sentido.
          É necessário frisar os principais indicadores de "sucesso" capazes de assegurar a presidenta quase 70% de aprovação segundo pesquisa Sensus/março-2011 na salutar "faxina" da máquina pública. Pautada por referenciadores técnicos, Dilma tem anunciado que  a escolha de seus auxiliares ministeriais é empreendida via: 1 - A experiência social na área em que o potencial ministro tenha atuado profissionalmente e, 2 - A lisura em que tem pautado a sua vida pública, isto é, ficha limpa.
          A firmeza de gestora madura que parecia intangível há remotos 8 meses ficou para trás. Dilma tem hoje o aval de suas próprias iniciativas e, para o bem e para o mal, desvinculou-se da alcunha de "fantoche do Lula". As "marolas" econômicas persistem na ordem global. A realização da Copa do Mundo de futebol 2014 e dos Jogos Olimpícos 2016 ao invés de alavancas para o desenvolvimento infraestrutural têm repercutido ineficácia do Estado . A destruição da fauna e da flora é sinal da latência de um crescimento sem planejamento ambiental. Todavia, em meio a tantos entretantos uma combinação se impõe como alento: Ela tem como aliados imprescíndiveis o perfeccionismo feminino,  a autoridade da caneta, a vassoura nas mãos e uma casa sem tapetes. 

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