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Poema: Poema mudo






Elegi perder de vista tudo que cega,
a memória traída na vitória do dissabor
e a trapaça da brisa, surda ventania  só.

Guiei-me pelo apalpo do que desconfio,
da tátil sensação de miudezas inúteis
postas no caroço benigno do que é pó.

Das silabas de tanto faz, fiz-me poema mudo
hiato escrito no arauto de terra e fogo,
de trovas vazias do sal e som da palavra.

Vi a vida cantar um hino ao amor de Piaf
O silêncio falar à multidão do universo
E o pesar se exaurir nos ombros do verbo.



Poema publicado também no site Recanto das Letras, na seção Poesias (AQUI).


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