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Para se "derreter" pelas belas adormecidas, Xico Sá escreve sobre suposta tentativa de violência sexual no BBB12



Nada contra o gosto dos telespectadores que apreciam o reality show BBB, pelo contrário, rendamos votos de longevidade à democracia televisiva sempre, mas assim como Xico Sá, antecipo que também não sou lá afeito a este tipo de entretenimento, deixo isso para minha avó, assinante do pay-per-view...santo desperdício de tempo e dinheiro (risos). Prefiro o futebol, que como diria Nelson Rodrigues: "O futebol é a coisa mais importante dentre as coisas menos importantes".

Todavia em virtude da série Achei na NET ser um quadro de opinião, nesta quarta-feira, 18 de janeiro de 2012, requentamos a discussão do BBB12 em torno da suposta violência sexual cometida por um dos integrantes da "nave mãe", ecaaaa, Bial baixou em mim...voltando, para a possível tentativa de estupro  numa bonitona da casa que dormia em baixo dos edredons depois de doses cavalares de álcool no horário nobre da telinha. Detalhe, depois de sair do programa rumo ao ostracismo, possivelmente tal participante terá grande chance de receber proposta para ficar nua como fez Eva no Éden há mais de 2000 anos.

Em texto de Marcos Bagno li uma vez dentre as diversas leituras que fiz como graduado em Letras a seguinte citação: "Uma receita de bolo não é um bolo, o molde de um vestido não é um vestido, um mapa-múndi não é o mundo... Também a gramática não é a língua", nesse sentido reitero o pensamento que falar do BBB não é, pelo menos aqui, uma prova inequívoca de contribuição moral e ética deste programa. Entretanto, graças aos deuses da escrita, temos Xico Sá, ele que perante a impávida cena libidinosa nos faz pensar em coluna para a Folha de São Paulo (AQUI) sobre quão é gostoso ver uma mulher ou um homem ao dormir, chegando a atestar que "amar é  vê-la(o) dormindo". Não mencionarei mais nada, apenas deleitem a provocação de O BBB E A CRÔNICA DAS BELAS ADORMECIDAS.





Não vejo BBB. Não por metimento intelectual, pois sou capaz de ver coisas bem mais trash na tv. É que não gosto e pril, e pronto. Da repercussão, porém, é impossível se livrar.
Amigas me chamaram a atenção para a cena de sexo com uma mulher desacordada. 
Estupro? Será? Talvez. Triste. 
A propósito das mulheres que dormem, republico, a pedidos, uma crônica sobre o assunto:
“Amar, além de muitas outras coisas, quer dizer deleitar-se na contemplação e na observação da pessoa amada”, sopra o velho escritor Alberto Moravia, sempre aqui na minha cabeceira.
Uma das melhores coisas da vida é observar uma mulher quando dorme, entregue, para além dos pesadelos diários.
Como bem disse Antônio Maria, um homem e uma mulher jamais deveriam dormir ao mesmo tempo, embora invariavelmente juntos, para que não perdessem, um no outro, o primeiro carinho de que desperta.
Experimente você também, estimada leitora, vê o seu homem quando dorme. Há uma beleza nessa vigília que os tempos corridos de hoje não percebem.
Amar é... vê-lo(a) dormindo.
Cada mexidinha, cada gesto. O que sonha nesse exato momento? Tomara que seja comigo, você pensa, pois o amor também é egoísmo.
Gaste pelo menos meia hora por semana nesse privilegiado observatório.
Psiuuuuu!
Ela dorme.
Mãozinha no ar, como se apanhasse pássaros, que coisa mais linda. Uns 23 minutos assim, mirei no rádio-relógio.
A mão desce ao colchão, quase dormente, formigamentos. Coça o nariz. Põe a mãozinha direita entre as coxas. Agora vira de lado, como os antigos LPs quando gastavam as seis músicas do A. E me abraça como nunca fosse partir, corpos viciados, almas em busca de um acerto.
Dorme, meu anjo.
Ela obedece.
Vigio o sono dela como um soldado zapatista.
Como um cão zela o sangue do dono.
Como se fosse um homem-exército e pronto.
Amar, no início era o verbo intransitivo da alemã professora de amor de Mario de Andrade. O idílio tem sobrevida, não como gênero, mas como vício, vício de amar. Amar de muito.
A mão desce agora sobre o meu peito, como se medisse meus batimentos.
A mão direita volta para a arte de apanhar pássaros, que beleza, que diabos!
O ideal é que você, amiga leitora, durma do lado esquerdo da cama, o do coração, sempre.
Mãozinha no ar catando pássaros. Até se acalmar de vez.
Calmaria danada de horas, sem coreografias ou narrativas. Sonha, sonha, sonha, minha menina.
Como é lindo a vigília ao sono dela.
Coça o nariz. Sussurra umas onomatopeiazinhas lindas de sonhos de besouros.
Ela arruma os cabelos como algas, entorpeço num mergulho.
Observar o sono do(a) amado(a) é a melhor maneira de mapear a sua beleza.
É a melhor maneira de conhecer o homem ou a mulher com quem dormimos.
E como são lindas aquelas marquinhas deixadas pelos lençóis no corpo dela. Um mapa de delírios! Melhor é lê-las como quem adivinha os sonhos e o futuro no fundo da xícara árabe ou no tarô das cartas.




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