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"Quem não torceria?" - Blog do Mauricio Stycer torce contra a corrupção em "O Brado Retumbante"



Livres do "Desafio musical Diego Albuck", em que fomos provocados a descobrir qual cantora brasileira, além de Sandy Leah ou "Sandyléia" (este último com as farpas de Leão Lobo), teria iniciado a carreira ainda quando criança, possuindo mais de 22 anos dedicados à música, o VemA agradece por não se ver mais obrigado a falar da musa do Balão Mágico (perdão aos amigos leitores, mas tivemos que fazer esse parenteses). Posto isto, o Achei na NET de hoje se adianta em deixar claro que não tem qualquer ligação com o "super-fantástico em que o mundo fica bem mais divertido", embora se deva afirmar que estamos nos divertindo e aprendendo bastante assistindo à "micro-nanica-minissérie" O Brado Retumbante (Por que as minisséries da Globo são tão curtas hein? - apenas 8 capítulos). 

Graças à uma apocalíptica "mudança de pauta", digna da menção a metáfora da Fênix, trazemos hoje o texto "Brado Retumbante seduz com tipo ideal de político", de Mauricio Stycer, publicado no blog que leva o nome deste jornalista e crítico do site UOL (AQUI). Fiquem com a leitura deste post e se possível ouçam a embalante "I'll be there", ou seria "Com você?", meu amigo e ator aniversariante de amanhã? (sic).



Numa série de temática política, abertamente inspirada na realidade brasileira, como “O Brado Retumbante”, a intenção de divertir caminha de braços dados com a ambição de informar. Não há como avaliar a sua qualidade técnica sem atentar para a visão de mundo que pretende transmitir.
Presidente por acaso, como já houve vários na história do Brasil, Paulo Ventura foi descrito até agora, exibidos dois capítulos, como um homem de grandes virtudes éticas e pequenas fraquezas morais. Um ser humano perfeito, de carne e osso.
Depois de assistir a um vídeo destinado a apresentar a sua trajetória à população, ele reage dizendo que está parecendo “um salvador da Pátria que só existe na cabeça do marqueteiro”. A filha cobra a sua ajuda num problema doméstico e ele responde: “Sou presidente, não síndico do seu prédio”. Um tio pede para ser nomeado diretor de uma estatal e Ventura ironiza a sua falta de talento para a função, além de lembrar ser contra o nepotismo.
Homem de vida sentimental desregrada, o presidente é chantageado por adversários políticos com fotos em que aparece aos beijos com a mulher de um senador. Sua ex-mulher, Antonia, que aceita posar de primeira-dama durante o mandato-tampão de 15 meses do presidente, fica pessoalmente indignada com as fotos, mas o apoia por entender que acima da sua humilhação está o interesse público.
Ventura construiu sua carreira política como um arauto da ética, contra a corrupção. Ao seu redor, reúne-se um grupo de assessores – civis e militares – que comungam da fé a respeito de uma “limpeza” na política contra a corrupção. Como “guerra é guerra”, aceitam recorrer a um “hacker”, que ilegalmente rouba informações do computador do ministro corrupto.
Legalidade versus intransigência. Vida privada versus pública. Ética e moral. Na visão de Euclydes Marinho, autor da minissérie, e de seus colaboradores, o presidente Paulo Ventura encarna um tipo ideal, obviamente idealizado.
Em diferentes momentos da história brasileira, políticos conseguiram, com ou sem a ajuda da mídia, convencer a opinião pública de que tinham os atributos de um tipo ideal, mas que o tempo e a prática mostraram ser muito distantes da realidade. Fernando Collor, citado pela mãe do presidente na minissérie, é o nome que vem mais rapidamente à cabeça, mas está longe de ser o único.
No mundo real, onde se trava uma permanente batalha política, há quem enxergue na minissérie o interesse em desenhar o figurino para um futuro candidato à Presidência. Acho essa interpretação, em 2012, tão ingênua quanto a proposta de “Brado Retumbante”.
O apuro técnico, a direção sem exageros e o elenco de primeira dão o suporte para um trabalho de alta qualidade. Depois de dois capítulos, estamos todos envolvidos, torcendo descaradamente pela vitória do presidente contra a corrupção. Quem não torceria?
Leia mais: Euclydes Marinho diz que “é tudo ficção”. O blogueiro Nilson Xavier observa que “é realidade disfarçada de ficção” e Domingos Montagner conta que ao ser convidado para viver o papel principal, perguntou ao diretor Ricardo Waddington: “Você tem certeza mesmo?”



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