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"Blog do Juremir Machado" lança opinião e sentimento para o adeus ao "Rei das calcinhas"



Confesso que quando abri a página de entretenimento do MSN, após encerrar a leitura de meus e-mails matinais, veio com ar de nostalgia a lembrança que guardei do refrão: "manhã de sol...meu iaiá, meu ioiô". Comovido não apenas pelo sentimento humano e fraternal de perda de uma celebridade nacional, em função da confirmação de morte do cantor Wando, fiquei saudoso por recordar as danças alegres e festivas de minha madrinha e tia avó Myriam, ela que, enquanto cuidava de mim e arrumava a casa, dançava freneticamente e repetia por várias vezes...meu iaiá, meu ioiô... Logo, seria natural apelidá-la de Iaiá, ou Yayá e desta feita, foi o que fiz, com certa dose despropositada de estrageirismo.

Pesquisei por cinco páginas da Google e encontrei o artigo Minha homenagem ao grande Wando(AQUI) escrito e  postado hoje, 08 de fevereiro, por Juremir Machado, escritor, professor universitário, colunista e blogueiro do Jornal gaúcho Correio do Povo. Sem mais delongas, vamos ao tributo e à saudação ao brega autêntico,inocente e romântico. Faço um convite sem demagogia ao conteúdo dessa leitura. Indistintamente o texto foi produzido pelo autor de modo a afagar a saudade dos que curtiam o estilo musical de Wando, ou para aqueles que por esse gênero não se sentiam atraídos (neste último caso o blogueiro VemA se insere).



Morreu o cantor Wando.
Ele era muito brega.
Eu também sou.
A breguice de Wando era o romantismo meloso.
As calcinhas perfumadas distribuídas nos shows.
Assim como as rosas do rei Roberto Carlos.
Pode haver algo mais brega do que ser o “rei”?
Wando era maravilhosamente brega.
Lembro-me de uma manhã, há 30 anos, quando, estudante errante, acordei na casa de um amigo e, desesperado para saber a hora, liguei o rádio e começou a tocar Wando.
O dono da casa apareceu e me botou para fora:
– Na minha casa ninguém escuta Wando.
Eu podia ter explicado, mas não quis.
Fui embora com Wando no coração.
Eu escutava “Moça” e gostava.
Ainda gosto.
Wando era o Michel Teló com sentimento.
Isso mesmo.
Brega com sentimento eu aprovo.
Sou sensível.
Wando também era.
Todos nós, ouvinte de coisas sofisticadas, ouvimos Wando e outros equivalentes quando estamos descornados ou, então, perdemos a oportunidade de experimentar uma boa fossa.
Wando era do também em que se dizia fossa.
E se toma uísque com guaraná.
Wando era dez.
A breguice autêntica, pura, sentida, sofrida.
Não era apenas a breguice da indústria cultural.
Estou de luto por Wando.
Fica aqui a letra da sua canção maior.
Moça
Moça me espere amanhã levo o meu coração pronto pra te entregar
Moça, moça eu te prometo eu me viro do avesso, só pra te abraçar
Moça eu sei que já não é pura, teu passado é tão forte pode até machucar
Moça, dobre as mangas do tempo jogue o teu sentimento todo em minhas mãos
Eu quero me enrolar nos teus cabelos
abraçar teu corpo inteiro, morrer de amor, de amor me perder


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