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Pezinho tamba-tajá

Este viscoso Guamá torrente, 
é do suor suburbano da moça d'tracajá
que vai à feira, toma nota ao Ver-o-Peso
e admira festeira a hora posta em arredar.

Este evaporado Canaã de ilhas escuras
onde os curumins se multiplicam nascendo,
de olhos pequenos e negros como grão-Acaí,
é o leito dos revolucionários da Piracema.

Esta água da Promissão jurada ao Tamoio,
fora santa diante ao incrédulo da seca,
e persiste chão de peixe e homem cabanos
retorcidos na saia rodada de vitórias-régias.

Este rio de injúria racial ao progresso
é a Belém que não se perde caluniosa,
que se fingiu de Bandeira mais um náufrago
na fragata de querer bem o cheiro moreno.


Poema publicado também no Site Recanto das Letras, na seção Poesias (AQUI)



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